16 de agosto de 2012

Cruzando o caminho do sol.




 Cruzando o caminho do sol.
Autor: Addison, Corban.
Editora: Novo Conceito.
ISBN:  9788581630090.




"Se não temos paz,
 é porque nos esquecemos de que pertencemos uns aos outros.
- Madre Teresa de Calcutá.


"Porque os lugares escuros da terra
 ficaram cheios
 de moradias de violência." 
- Asafe, o salmista.

A dica de leitura de hoje é muito especial, pois, além de ser um livro bem bacana, as fotos são do meu exemplar que foi autografado pelo próprio autor na 22ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, graças ao estande da editora Novo Conceito, que realizou esse evento (com direito a um bate-papo pré autógrafos com o autor, que é pura simpatia.)

Dentro das possíveis classificações de gênero que podem ser atribuídas ao livros, existe duas classes que quando unidas resultam em um romance tão sensacional como o de estreia de Corban. Quando você une a ficção-suspence , cria personagens que tem em sua tragetória acontecimentos de fatos reais, a leitura se torna algo além de um mero passa-tempo e sim um informativo intrigante detentor de toda a sua atenção e que deixa marcas na sua essência.
Em Cruzando o caminho do Sol, nos deparamos com o tema real de trafico de mulheres, seja para fins sexuais ou para transporte de drogas e escravidão; Mas quando digo mulheres, me refiro a seres humanos do gênero feminino de qualquer idade!
Acompanhamos os sofrimentos de duas irmãs indianas que acabam de sobreviver ao tsunami e são sequestradas, vendidas, usadas para os mais imundos fins e tristemente separadas.
A vida dessas duas crianças que tiveram sua inocência e razão de viver brutalmente arrancadas de si dependem de organizações e leis que são facilmente flexibilizadas por corruptos e infames. (Não se iludam, neste submundo escroto não trabalham apenas homens. Mulheres se tornam cafetinas visando lucros infindáveis!)


Corban é advogado e por isso as questões legais do livro são postas com tanta propriedade e de uma forma que permite a compreensão. Talvez por saber o quão enojante o tema é, ele nos poupa de alguns detalhes extremamente sórdido, tratando a monstruosidade de forma humana.
Inevitável não construir um laço com o enredo e não se sentir afetado com a história. Ao chegar na ultima página, somos invadidos por uma reflexão profunda sobre quantas pessoas de fato vivenciam essa tragedia.
Corban lista algumas organizações que tentam ajudar casos como o tratado em seu livro, o que , para os que quiserem se engajar nesta nobre causa, é uma verdadeira 'mão-na-roda'.




 Espero que leiam e que compartilhem o efeito causado pelo livro.
Boa leitura!
Beijos Beatri.X




9 de agosto de 2012

A Doce vida na Úmbria




Título: A doce vida na Úmbria
Autor: De Blasi, Marlena
Sextante - ISBN 9788575427590




Pela lógica cronológica, esta seria a quarta aventura autobiografica de Marlena, porém a escolhi como primeira (por aparentemente ser a ultima) a ser comentada aqui.

Como um boa descendente de italianos, boa bibliotecária e bibliófila, boa comilona e boa 'metida a cozinheira' acompanhei os passos de Marlena desde o seu inicio de romance com Fernando 'olhos cor de mirtilo' no livro Mil dias em Veneza, lambendo os beiços a cada menção de docinhos  fumegantes de damasco, passando ansiosamente para Mil dias em Toscana, que quando inteiramente lido me fez anotar na minha lista de desejos futuros como sonho principal comprar o palácio Barlozzo para poder comer pão italiano recém saído do forno a lenha, regado com muito azeite e vinho; Tomei como se fossem minhas as férias relatadas em Um certo verão na Sicilia e finalmente me senti completa com este (ao que tudo indica) fim de mudanças, na Úmbria.

Marlena, uma aficcionada por comida e por conhecer pessoas, conta um trecho da sua vida nestes livros, com graça, despertando gula e afeto nos leitores. É como se ela abrisse seu salão de dança para nós, completos estranhos, nos aconchegasse ao redor do forno quente em um cozinha aromatizada por delícias sendo preparadas e nos tornasse intimas das pessoa com quem ela cria laços de amizades ao longo de suas aventuras.
Li Uma doce vida na Úmbria no ínicio das férias e agora que elas chegaram ao fim, para não entrar em 'parafuso' antevendo a loucura do fim de ano e o retorno as obrigações e responsabilidades, decidi inclui um lembrete na minha cabeceira - lembrete esse, que só fara sentido à vocês se resolverem ler os livros da Marlena para entendê-lo -: Reformar um salão de dança, dar uma festa onde todos meus amigos possam se conhecer e que todos os homens estejam de black tie e sapato marrom, felizes e com a mesa farta.

E vai uma dica: em cada livro De Blasi dá ao final do capitulo ou ao final da obra, as receitas das comidas e quitutes citados.
Não vou mentir que dá uma coceira na mão só de imaginar cozinhar tudo aqui para saciar nossa vontade.




"As linguiças haviam sido assadas no forno mais cedo, neste mesmo dia.
 Agora roliças e crocantes, ainda nos tabuleiros [...] 
As nuvens e o fogo baixo agora deram os braços e quando o vento sopra, 
folhas tremulam e estrelas aparecem[...] 
Mas há um novo perfume vindo da cozinha [...] 

- Ciambelle di Sant'Antonio - diz.
Parece que Santo Antonio também tinha um fraco por rosquinhas."



Espero que gostem da leitura (e das comidas :P ),
Beijos Beatri.X



15 de julho de 2012

Adeus, China


Título: Adeus, China: o último bailarino de Mao. 
 Autor: Cunxin, Li
Editora: Fundamento 
 ISBN 9788576761808




Uma deliciosa autobiografia do ultimo bailarino da academia de dança da madame Mao, Li Cunxin, que a cada novo capitulo te insere na realidade de fome vivida na infância miserável na comuna da família Li, que apesar das dificuldades amavam seus filhos incondicionalmente; o momento de sua seleção para se tornar aluno da academia da madame Mao e a 'sutil' lavagem cerebral realizada a favor do governo; sua descoberta do mundo e seu sucesso como bailarino e claro, seu trágico afastamento da família devido a decisão de se manter nos EUA para continuar estudando e se destacando nos palcos, finalizado com o emocionante reencontro com seus pais e irmão, já mais velhos, anos depois.
História emocionante e motivadora, que demonstra a importância da família e da perseverança em conquistar os sonhos, por mais impossíveis que eles possam parecer.


"As lembranças que tenho de minha niang e de meu dia sempre
 estão ligadas ao trabalho árduo. O dia quase toda manhã se levantava antes das 5h30. Isso quer dizer que a niang tinha que se levantar ainda mais cedo, para preparar a refeição dele [...] Bem que tentavamos roubar-lhe amor e atenção, 
mas a niang estava constantemente exausta"
(p.30 / niang = Mãe; dia= Pai.)


Espero que aproveitem esse final de férias com essa leitura suave e cheia de aprendizagens culturais que enriquecem MUITO a bagagem de todos.
Bjs Beatri.X